Um rei-menino cruel sufocado até a morte nos braços da própria mãe, no banquete de seu próprio casamento, e um inocente preso para enforcar por isso. O veneno, os conspiradores que as páginas nomeiam, e a ruína que isso causou à casa que ordenara o Casamento Vermelho.
O que o reino sabe
O reino se lembra do Casamento Púrpura sobretudo pela forma como o noivo morreu: sufocando, arranhando a própria garganta, o rosto tomando a cor que deu nome ao dia, morto nos braços da própria mãe antes que o último prato fosse retirado. O Rei Joffrey Baratheon — rapaz cruel, filho duvidoso de um rei morto — desposou Margaery Tyrell num festim luxuoso em Porto Real, e não viveu para consumar o casamento. Isso qualquer contador de histórias pode lhe dar, e a tela o deu claramente.
O que o reino sabe, então, é um envenenamento e um bode expiatório: o rei abatido em seu próprio casamento, e seu tio, o anão Tyrion Lannister, capturado e acusado do feito. O que o reino não soube por muito tempo — o que a crônica agora pode registrar, tirado das páginas — é que as mãos verdadeiras por trás da obra do estrangulador não eram as mãos que foram amarradas por ela. Os pormenores abaixo são substância dos livros, e são velados de acordo.
O relato completo
O casamento do rei-menino
Devia ser o casamento que selasse a vitória da coroa: o rei Lannister desposado com a flor de Jardim de Cima, cujas espadas e reservas haviam virado a guerra. Nenhuma despesa foi poupada. Setenta e sete pratos foram servidos na sala do trono, uma monstruosa torta de pombo foi cortada com a própria espada do rei, e anões bufões foram feitos cavalgar zombando dos reis caídos da guerra recente, para que a corte pudesse rir dos mortos. Através de tudo isso Joffrey representou o menino que era, pequeno e maldoso, guardando suas crueldades mais afiadas para seu tio Tyrion, a quem humilhou diante do salão.
O rei tomou vinho e torta de pombo, e começou a tossir. A tosse virou sufocamento, o sufocamento uma convulsão; arranhou a própria garganta como que para abri-la, sua pele escurecendo, seus olhos chorando sangue. Sua mãe, a rainha, gritou por um meistre e o embalou enquanto ele morria. Antes que ele esfriasse ela já havia encontrado o significado daquilo, e apontou: seu irmão Tyrion servira o vinho, e Tyrion, a quem odiara a vida inteira, responderia pelo rei.
O estrangulador
O veneno que matou Joffrey é um raro e cruel que os meistres chamam de o estrangulador, algo cristalizado das folhas de uma planta das ilhas orientais, que agarra os músculos da garganta e a fecha contra todo ar. Em infusão, os cristais não se parecem com nada além de açúcar grosso ou um punhado de gemas, e ali estava a astúcia do complô — pois o meio do assassinato foi usado abertamente, à vista de todos, durante todo o festim.
Sansa Stark, irmã do falecido Robb e esposa relutante de Tyrion, recebera uma rede para os cabelos enfiada de ametistas negras, e uma daquelas pedras não era pedra alguma. Na multidão do casamento uma pedra sumiu de seu cabelo, e o estrangulador encontrou seu caminho até a taça do rei. O leitor que rastreia os cristais através das páginas descobrirá que Sansa foi feita o veículo involuntário, e que a remoção de uma única ametista foi o assassinato inteiro em miniatura — cometido num salão apinhado, diante de mil olhos, por mãos que a multidão jamais notou.
Os conspiradores, nomeados
As páginas deixam a verdade escapar lentamente, mas a deixam escapar. O assassinato teve dois arquitetos principais trabalhando para o lucro um do outro. O primeiro foi Petyr Baelish, chamado Mindinho, que fornecera a rede envenenada e queria Sansa Stark levada para fora da capital no caos que uma morte real causaria — uma reivindicação ao Norte sendo algo útil para um homem de baixo nascimento e grande ambição possuir. O segundo foi Olenna Tyrell, a Rainha dos Espinhos, avó da noiva.
O motivo da velha era mais claro que o do pássaro-canoro: ouvira o bastante sobre a crueldade de Joffrey para saber que tipo de marido sua neta estava sendo vendida, e preferia Margaery uma rainha viúva a uma esposa atormentada. Entre os dois arranjaram que um monstro morresse e um inocente enforcasse por isso, e ambos quase conseguiram seu desejo. Um meistre observa a forma disso sem admiração: o rapaz a quem todo o reino tinha razão para matar foi enfim morto pelas duas pessoas no festim com as cabeças mais frias e o menor amor por ele.
O bode expiatório
Sansa Stark desapareceu do casamento na confusão, levada à segurança pelo plano de Mindinho, e assim o luto da coroa precisou de outro alvo. Encontrou Tyrion. Odiado por sua irmã, desconfiado por seu pai, e convenientemente à mão com vinho nas mãos, o Duende foi capturado e acusado tanto de regicídio quanto de fratricídio, e feito enfrentar um julgamento cujo veredicto fora decidido antes mesmo de começar.
Aquele julgamento, e a ruína que operou sobre a Casa Lannister, a crônica trata como assunto próprio — como um filho encurralado por seu próprio sangue enfim respondeu a seu pai, e o que aquela resposta custou ao Velho Leão. Aqui basta marcar que a morte de Joffrey, planejada para salvar uma moça e uma noiva, abriu uma segunda ferida através da família que ordenara o Casamento Vermelho, e que a taça envenenada no Casamento Púrpura fez mais para desfazer os Lannister que qualquer espada de Stannis. Leitores podem seguir o fio adiante até o julgamento do Duende na linha do tempo.
Estas separações nomeiam mortes, desfechos e estradas ainda não percorridas nos livros. Desvele-as apenas se ambas as estradas te forem conhecidas — ou se não temes saber.
As consequências
O irmão mais novo de Joffrey, Tommen, uma criança mais gentil e dócil, foi coroado em seu lugar, e Margaery Tyrell — viúva mas não desfeita — foi em tempo prometida ao novo rei-menino, de modo que Jardim de Cima manteve sua garra sobre a coroa através de um segundo casamento. A paz que o casamento devia selar foi enfim tomada, embora sobre um cadáver fresco. Do povo miúdo que sofrera o reinado do rapaz, poucos choraram; um rei que é amado é pranteado nas ruas, e a partida de Joffrey trouxe mais alívio silencioso que luto.
A ferida duradoura foi desferida dentro da própria Casa Lannister. O julgamento de Tyrion fraturou a família além de conserto e pôs em movimento a queda de Tywin, de modo que o assassinato tramado por uma velha e um intrigante de baixo nascimento custou à maior casa do reino sua cabeça e seu futuro. Mindinho levou Sansa para o Vale para jogar um jogo mais longo, e Cersei Lannister, roubada do filho que amava e deixada com os que não conseguia dominar, começou o lento desmoronar que as páginas posteriores registram.
Estas separações nomeiam mortes, desfechos e estradas ainda não percorridas nos livros. Desvele-as apenas se ambas as estradas te forem conhecidas — ou se não temes saber.
Livro vs. série
Estas separações nomeiam mortes, desfechos e estradas ainda não percorridas nos livros. Desvele-as apenas se ambas as estradas te forem conhecidas — ou se não temes saber.
O pergaminho por trás desta página
A Storm of Swords — Tyrion, Sansa
A Feast for Crows — Cersei, Alayne
The World of Ice & Fire — The Reign of Tommen
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O que foi o Casamento Púrpura?
O Casamento Púrpura é o nome que os leitores deram ao banquete de casamento do rei Joffrey Baratheon e Margaery Tyrell em Porto Real, no qual Joffrey foi envenenado e morreu sufocando, o rosto tornado púrpura. Seu tio Tyrion Lannister, que lhe havia servido o vinho, foi preso e acusado do assassinato.
Como Joffrey foi envenenado?
Com um veneno raro que os meistres chamam de estrangulador, que fecha a garganta. Cristalizado, parece açúcar grosso ou uma gema escura, e foi escondido à vista de todos entre as ametistas negras da rede de cabelo de Sansa Stark. Uma pedra desapareceu durante o banquete, e o veneno encontrou caminho até a taça do rei.
Quem realmente matou Joffrey?
As páginas revelam dois arquitetos: Petyr Baelish, chamado Mindinho, que forneceu a rede de cabelo envenenada e queria Sansa levada dali em meio ao caos, e Olenna Tyrell, a Rainha dos Espinhos, que preferia ver a neta uma rainha viúva a vê-la casada com um monstro. Tyrion, o acusado, era inocente.
O que a morte de Joffrey desencadeou?
Tyrion foi julgado pelo assassinato, e esse julgamento fraturou a Casa Lannister e pôs em movimento a queda de Tywin — fazendo, sem dúvida, mais mal à família do que qualquer batalha. O irmão mais gentil de Joffrey, Tommen, foi coroado, e Margaery, com o tempo, prometida a ele, mantendo a garra do Jardim de Cima sobre o trono.